A separação e a emoção dos filhos

Embora busquemos relações sólidas e duradouras, é comum percebermos como as famílias sofrem com a separação dos pais, em especial os filhos, que, hoje em dia, pouco preparados para perder, para passar por frustrações, veem-se numa situação jamais esperada. O divórcio dos pais é fonte de desenvolvimento de estresse, especialmente se não for conduzido de forma adequada pelos dois. Isso ocorre quando os genitores têm dificuldade para trabalhar a frustração com os filhos; os quais não são habituados a perder, a separar, a lidar com a morte, com a mudança de hábito. Há sinais de uma superproteção que, somados à própria angústia do casal e das situações vividas pelos adultos, geram um terreno fértil para a insegurança e para as fantasias das crianças. Ao não possuírem um modelo adequado para reagir frente aos problemas da vida, as crianças, de modo geral, tornam-se adultos bastante fragilizados, suscetíveis ao estresse e a todas as enfermidades e dificuldades psicológicas que neles surgem. É importante que a criança possa vivenciar esses momentos, sempre adequados a sua faixa etária e sua maturidade, para que ela também saiba se proteger, perceber, raciocinar sobre essas situações e não apenas viva numa redoma, protegida de todas situações. Em meio a várias leituras sobre o tema, extraí o seguinte conteúdo: “O estresse infantil pode estar envolvido na origem de vários distúrbios, tanto físicos quanto psicológicos, como comportamentos agressivos que não são representativos do comportamento mais geral da criança, desobediência inusitada, depressão, ansiedade, choro excessivo, enurese (não controlar urina), gagueira, dificuldade de relacionamento ou na escola, pesadelos, insônia, birra e até mesmo o consumo de tóxicos. Os problemas físicos decorrentes disso podem ser asma, bronquite, hiperatividade motora, doenças dermatológicas, obesidade (come por ansiedade), diarréia, dores abdominais, tiques nervosos. Nenhum desses fatores isolados podem ser interpretados como sinal de estresse; o que deve servir como base para o diagnóstico são vários sintomas em conjunto”. O medo da perda é usual nas crianças de pais separados; muitas vezes, são desconfiadas, porque temem “perder” seu objeto de amor. É completamente normal o medo, que toma conta do casal, de ferir os filhos com a decisão de separar-se. Entretanto, esse sofrimento imediato que a criança sente com a notícia é menos traumático do que a angústia de perceber que existe algo de errado na relação dos genitores e não estar ciente do que está efetivamente acontecendo. O mais importante com relação a isso tudo é que seja mantida a confiança na relação entre pais e filhos, mantendo-a o mais clara, verdadeira e respeitosa possível. Se a criança sentir solidez no relacionamento com os pais, poderá receber informações desagradáveis, sem que a posição destes [pais], como ponto de referência em sua vida, seja abalada, visto que ela [criança] é menos frágil que o adulto para conhecer a verdade. Em compensação, situações conflitantes e incompreensíveis podem causar grandes problemas a essa criança (cf. GIUSTI, 1987).

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Sobre temasempsicologia

Psicóloga Clínica e Organizacional.
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